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A poesia que espalho por aí
As tintas do ateliê do professor Fernando me lembram as que você me dava e eu saía pintando pela casa. Hoje, sigo pintando de outras formas muitas coisas por aí. Muitas vezes agora, de um jeito um pouco mais técnico, porque acabei me formando em design. Já que sempre dominei as cores, decidi entender a teoria por trás delas também. Espero um dia ter meu próprio ateliê. Tenho batalhado por isso, quase como um Julius com três empregos.
Às vezes o mundo pesa, mas você sempre me mostrou que existe a parte bonita também. Vivo tentando enxergar e plantar essa beleza, valorizando os detalhes mais simples e tudo que vale a pena. Sensibilidade que a perda ensina a ter.
Suas falas, broncas e risadas ressoam no perfeito equilíbrio que usou na minha criação. E agora, eu as mantenho vivas em tudo que eu crio.
Toda vez que entro no mar, eu lembro de você me pedindo para voltar e eu ia, ia e não te obedecia. Continuar não te obedecendo foi a maneira que encontrei de permanecer por aqui. Continuo nadando na vida em direção ao fundo. É instável e perigoso, mas eu sempre amei nadar; eu consigo voltar. Talvez um dia eu more na praia, mas, por enquanto, deixo os mares nas pinturas, memórias e em algumas visitas de vez em quando.
Mesmo longe de qualquer perfeição (e que bom), eu acho que sua sementinha está dando bons frutos. Aprendendo, brincando, arriscando e lembrando sempre que o que vale mesmo, o dinheiro não sabe comprar. Mas preciso dele para conseguir florear.
Obrigada por tanto, vó Dete.
Você é a poesia que eu espalho por aí.
"...O Sol pega o trem azul,
você na cabeça."
O trem azul - Lô Borges